É o assunto da temporada: a eterna menina Sandy Lima, casada, 28 anos, teria afirmado em entrevista que "é possível ter prazer anal". Marketing poderoso para a revista para onde Sandy deu a tal declaração. E, claro, e para a própria Sandy, que faz tudo para enterrar a imagem de cantora sertaneja infantil - mas não muito fundo.
Sandy, desesperada por credibilidade entre adultos, disse que gosta de fazer strip-tease para o marido, que já teve curiosidade de ir a um clube de swing, defendeu a masturbação. Deu assunto, barulho na internet, reportagens na TV. Mas o que deu mais assunto foi essa parte:
Pergunta da Playboy - Dizem que as mulheres não gostam de sexo anal. Você concorda com isso?
Resposta de Sandy - Então... Não tem como não responder isso sem entrar numa questão pessoal. Mas, falando de uma forma geral, eu acho que é possível ter prazer anal. Sim, porque é fisiológico. Não é todo mundo. Deve ser a minoria que gosta.
Pergunta da Playboy - Uma minoria na qual você se inclui?
Resposta da Sandy - Não vou dizer. Essa é uma pergunta que me faria pôr em prática minhas aulas de boxe (risos).
Agora, as estatísticas: Sandy está exatamente no grupo de mulheres que mais praticam sexo anal. Não sei de suas preferências, mas estatisticamente é uma chance de pelo menos 25%, segundo a Universidade de São Paulo.
A cantora disse que acha "possível" ter prazer anal. Ignorância. O termo correto é "provável". Existem esculturas e pinturas retratando o ato que datam das primeiras civilizações. Quando se trata de sexo, as principais variações foram inventadas antes da roda. E todas continuam fazendo sucesso, o que quer dizer alguma coisa.
Nos Estados Unidos, que adoram medir tudo, as pesquisas mais recentes indicam que o sexo anal heterossexual está se tornando mais comum. Em 2005, os órgãos governamentais Centers for Disease Control and Prevention cravaram em 40% dos homens e 35% as mulheres que fizeram sexo anal heterossexual (em algum momento; não toda hora).
Qual grupo das mulheres faz mais sexo anal? Na maior e mais recente pesquisa National Survey of Sexual Health and Behavior, são as mulheres com um relacionamento estável, entre 18 e 49 anos.
Faz sentido, claro. Com quem você vai fazer uma coisa que exige tamanha intimidade, com seu cúmplice de todas as horas, ou um cara que conheceu hoje na balada? Em 2009, uma pesquisa da doutora Kimberly McBride no Journal of Sex Research deu que o sexo anal é muito mais comum entre casais casados, em relações monogâmicas: 69% das mulheres e 73% dos homens declararam ter tido relação anal heterossexual nos 12 meses anteriores.
Maioria! E no Brasil? Uma pesquisa da USP de 2008 afirma que 25% dos casais brasileiros praticam sexo anal com regularidade. Acho pouco, para um país que apelidou a bunda de "preferência nacional". Há quem diga que a crescente popularidade do sexo anal entre homem e mulher seja resultado de uma geração que cresceu assistindo vídeos pornô, onde o ato é banal e quase obrigatório (frase clássica do diretor John Stagliano: pussy is bullshit).
Desconfio que no passado, o prazer pela porta dos fundos devia ser até mais comum. Antes da pílula e da camisinha, era a única maneira de transar, sem a mulher perder a virgindade. Hoje muito menos gente liga pra virgindade, e existem métodos contraceptivos mais simples.
O argumento mais estúpido contra sexo anal é que o ânus tem outra função. Bem, o mesmo vale para a boca, o cotovelo, a sobrancelha e a parte de trás do joelho, o que não quer dizer que eles não possam ser usados para o prazer.
O principal órgão sexual humano é a imaginação. Se dá pra você inventar uma maneira interessante de usar seu corpo para gozar, tá valendo. O sexo a dois (ou mais), entre os dois sexos (ou qualquer um dos outros), não deveria chocar ninguém.
Contanto que consensual, claro, e entre humanos acima de certa idade - dezoito, dezesseis, catorze? Você, inevitavelmente, decide; em 2011, não há autoridade política ou religiosa que possa nos impedir de fazer o que bem entendermos com nossos corpos.
O sexo anal heterossexual é oficialmente proibido pelo islamismo e já foi pecado mortal no Ocidente. Segue popular. Segue dando assunto. O esguio bumbum de Sandy e seu possível uso na cama do casal não deveria ser assunto tabu, a esta altura do campeonato.
As estatísticas acima indicam que sexo anal não é atividade tabu e, pelo contrário, é cada vez mais comum e principalmente praticado por gente casada. Mas o escritor Norman Mailer dizia que o melhor sexo era o que parecia pecaminoso - quente como o inferno. É isso: sexo proibido é mais gostoso. E contra o prazer, não há o que fazer.


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